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quinta-feira, 30 de setembro de 2010

Vale Del Limari: vinícola Tabali

Após 6 hs de viagem do Vale do Maipo (região que mais produz vinhos no Chile) ao Vale Del Limari (fica no extremo norte chileno e devido aos ventos frios propícios para o refrescamento das videiras, faz com este este lugar seja um oásis para a produção de vinhos finos). Estando no limite com o Deserto do Atacama, fomos recepcionados com muito Pisco Sauer, na elegante casa dos proprietários da vinícola Tabali. A Tabali foi a pioneira a produzir vinhos de alta qualidade nesta região fria e seca do Chile. Onde ficamos tivemos a privilegiada vista para o Deserto do Atacama, o que nos proporcionou momentos inesquecíveis.



Lá ficamos em um deck iluminado por fogueiras e o menu desta noite seria muito churrasco. Por falar em churrasco, o churrasqueiro era nada convencional. Ele pegava nas brasas e na chapa quente sem nenhuma proteção nas mãos. Isto é que é se aquecer no frio!
As carnes eram deliciosas e eram acompanhadas de muita palta (abacate), purê de abobrinha, empada de frango apimentada e batata gratinada, mas os destaques foram os vinhos Tabali. 


Durante toda a noite degustamos os vinhos Reserva Especial Tabali. Destaque para o Pinot Noir (vinho delicado, aveludado que acompanha muito bem peixes e carnes com molhos mais leves) e o Shyraz (frutado, encorpado, vinho ideal para carnes vermelhas com molhos mais fortes).




A sobremesa...perfeita! Um simples sorvete de baunilha com creme de morango acompanhado do vinho doce de sobremesa Tabali Late Harvest. Este harmoniza muito bem com sobremesas de morango.

 

Assim, estando no Chile, não deixe de visitar a vinícola Tabali. Lindo lugar e excelentes vinhos. Vale a pena conhecer.


Reservas, falar com a Maria Paz no telefone: (56-2) 477-5535, 477-5530.
Para maiores informações sobre os prêmios e vinhos da Tabali, o site é http://www.tabali.com/

domingo, 26 de setembro de 2010

Vale de Casablanca: degustação de vinhos brancos na Santa Rita

Logo após o café-da-manhã, no dia 13/09, fomos conhecer as propriedades da vinícola Santa Rita (fica a 1h de Santiago e a 2hs do vale do Maipo), no Vale de Casablanca, acompanhados dos enólogos e agrônomos responsáveis. O Vale de Casablanca, descoberto por Pablo Morandé, é muito adequado para o cultivo de uvas brancas (destaque), mas também produz excelentes vinhos Pinot noirs dado ao seu clima frio e solo arenoso.


A vinícola Santa Rita foi fundada em 1880 e é a terceira maior vinícola chilena, que fica sobre o comando da famosa enóloga Cecília Torres. Lá degustamos os vinhos brancos Santa Rita Reserva Sauvignon Blanc, o Santa Rita 120 Sauvignon Blanc, Santa Rita 120 Chardonnay, o Medalha Real Gran Reserva Chardonnay 2008, Medalha Real Sauvignon Blanc 2009. Destaque para este último que ainda não está no mercado e encontrava-se sem rótulo, mas que tivemos o prazer em degustá-lo em primeira mão.



Saímos da vinícola e fomos almoçar no excelente Restaurante Café Turri. Sobre este postarei em breve.

Shopping Parque Arauco-Santiago: Restaurante Tony Roma's

Este shopping é o maior do Chile, fica em Santiago, e lá estivemos no restaurante Tony Roma's.



Lá indico a salada de camarão com palta (mais abacate...) chamada Kickin Shrimp e a costela chamada Baby Back Ribs. Esta costela é muito parecida com a do Outback. Muito boa! Para acompanhar tomamos o vinho Montegras Quatro. Vinho muito potente, agressivo. Para o meu paladar, não foi aprovado.






Parque Araico
Av: Kennedy 5413. Las Condes-Santiago de Chile.
http://www.parquearauco.cl/turistas/por/

segunda-feira, 10 de maio de 2010

Defeitos do Vinho.

O vinho como produto biológico, como “ser vivo”, sofre alterações ao longo do tempo. Algumas são benéficas, outras não. Quando estas últimas ocorrem, originam os chamados “defeitos dos vinhos”, ocasionados por problemas de conservação, no seu processo de elaboração, por declínio natural ou até intrínsecos ao próprio produto. Detectar uma dessas condições nem sempre é fácil, uma vez que, na grande maioria dos casos são problemas pontuais e afetam a integridade de uma única garrafa. Mais complexo e intrincado, no entanto, é identificar os “defeitos” do vinho. Reconhecê-los depende da sensibilidade, da capacidade de observação e, também, da experiência de quem degusta. Os mais comuns defeitos descritos são expressos em aromas nem sempre agradáveis, e com maior índice de incidência são:


Aromas herbáceos ou C6 – Também conhecidos como “aromas verdes” tem como descritores os aromas de folhas verdes picadas ou trituradas. É produzido durante a prensagem das uvas, quando são maceradas, também, folhas das videiras. Não traz danos a saúde.

Aromas lácteos (leite iogurte) – Esses aromas expressam a existencia de problemas ligados a má fermentação, durante a elaboração do vinho.

Aromas de Alho e cebola – A presença desses aromas estão ligados a defeitos de redução nos vinhos ou a colheita das uvas feita com máquinas. Aromas Sulfurosos – Dependendo das alterações que sofra o SO2( utilizado, normalmente, como estabilizante e conservante do vinho) pode desenvolver o odor desagradável de ovo podre( o mais comum e mais conhecido), de couve flor ou de gás natural. Um excesso deste composto conservante pode provocar dor de cabeça, alergia e sintomas gástricos.

Aromas de estábulo ou Brettanomyces. Os aromas de estábulo, suor de cavalo, borracha queimada, couro são produzidos por uma levedura de contaminação do gênero Brettanomyces. Sua origem ainda é uma incógnita e está associada, provavelmente, aos recipientes onde são armazenados os vinhos. Para alguns enófilos, quando presente em pequena intensidade não deve ser considerado como defeito, mas como parte dos aromas de alguns vinhos tintos. Não se conhecem sintomas por seu consumo.

Aroma de Vinagre ou Ácido acético – Basicamente o aroma é de vinagre – acido acético – um subproduto natural da fermentação Ocorre quando o vinho é guardado em barricas velhas com vários usos e limpeza inadequada. Ela se sobrepõe aos aromas primários, causa cheiro acre de vinagre, o vinho perde corpo e mostra sinais de oxidação.

Aromas de papel úmido, madeira mofada – Originado pela presença de microorganismo do gênero Penicillium frequentans, origina no vinho os aromas desagradáveis de madeira mofada, papel úmido e costumam contaminar a rolha e o vinho, causando os vinhos Bouchonné.

Bouchonné – O vinho contaminado pelo Tricloroanisole, abreviadamente TCA, um contaminante que afeta dezenas de milhões de garrafas, transmite ao vinho odor de mofo. O TCA origina-se do uso do cloro no processo de esterilização das rolhas. O TCA sufoca o aroma e sabores frutados do vinho e destrói qualquer semelhança de caráter varietal. Conhecido como bouchonné, o vinho com esses aromas não tem recuperação.

Maçã podre – Aroma encontrado em vinhos brancos oxidados ou em vinhos com uma segunda fermentação dificultosa.

Pimentão verde – Nos vinhos de Cabernet Sauvignon pode representar colheita das uvas ainda não totalmente maduras.

Putrefatos – Odores desagradavéis de carne em decomposição e putrefata são produzidos pelas amina volateis cadaverina e putrefacina, originadas durante a permanencia do vinho em barricas de carvalho já usadas e com má conservação e esterilização.

Urina de Gato – Odor desagradável característico da casta branca Sauvignon Blanc, colhida ainda não madura, originando vinhos com aromas de urina de gato.

Sobre os defeitos dos vinhos, na verdade, o que pode ser dito é que à semelhança dos aromas, eles fazem parte dos misterios dos vinhos. E para conhece-los é necessário entender, que tanto no vinho como na vida, pode haver virtudes e defeitos. Cabe a cada um aceita-los ou não.

Classificação dos Vinhos Italianos.

Todas as garrafas de vinhos italianos carregam uma das seguintes denominações :
V.D.T.

Vino da Tavola, ou " vinho de mesa" é uma classificação usada para referir-se de forma unânime tanto para vinhos básicos como para vinhos muito caros. Alguns dos mais dinâmicos produtores da ultima década tentaram de desenvolver melhor a qualidade e não desejavam estarem presos pelas regulamentações tradicionais existentes - fazendo assim o aparecimento dos vinhos mais caros com denominação V.D.T. . Mais recentemente os órgãos que regulamentam a produção dos vinhos mordenizaram suas atitudes fazendo que muitos vinhos de qualidade se tornassem também vinhos de classificação I.G.T. ou D.O.C.. Vinhos V.D.T. normalmente não apresentam as regiões de produção ou a informação da variedade de uva utilizada na sua produção nas etiquetas, sendo possível em cantinas italianas a compra de "vinhos de mesa" a granel . Um vinho V.D.T. não implica em nenhum caso um vinho de baixa qualidade, mas sim um grau extra de anonimato !

I.G.T.

Indicazione Geografica Tipica é um vinho de origem regional . Muitos vinhos, dos mais simples aos de alta qualidade carregam a classificação I.G.T.

D.O.C.

Denominazione d'Origine Controllata é a mais freqüente classificação usada para vinhos de qualidade superior por causa da especificação da área de produção (permitindo o reconhecimento de municípios individuais, províncias até de vinhedos individuais) junto com a variedade da uva e o dever de obedecer um conjunto especifico de regras (do que fazer e o que não se deve fazer ) oficiais.

D.O.C.G.

Denominazione d'Origine Controllata e Garantita foi originalmente concebido como um tipo de "super-conjuntos" de D.O.C., com a intenção de identificar as melhores classes de vinhos. Esta provou ser uma estratégia falha porque todos os vinhos que atendem as regulamentações descritas para sua fabricação são classificados como D.O.C.G.. Obviamente, nem todos vinhos são igualmente bons, mas as regulamentações são realmente rigorosas e tem certamente melhorado a qualidade de forma geral . Todos os vinhos D.O.C.G. carregam uma etiqueta de papel no gargalo da garrafa, de coloração rosa para vinhos tintos, verde claro para os vinhos brancos e uma laranja claro para os espumantes, contendo informações indicando a sua autenticidade.

domingo, 9 de maio de 2010

Raridades e o Luxo do vinho.

"Um grande vinho tem a maravilhosa qualidade de imediatamente estabelecer a comunicação entre aqueles que o estão bebendo. Degustá-lo à mesa não deve ser uma atividade solitária e um vinho fino deve sempre ser bebido com comentários".

Existem vinhos de todos os custos e qualidades. É claro que estamos sempre buscando o melhor custo-benefício, porém sabe-se que dificilmente por menos de US$ 10,00 não se toma um vinho bem elaborado e com certa complexidade e qualidade, com raras exceções. Dentre os vinhos de Luxo, que pela tradição, além da qualidade ímpar, têm o seu "glamour" consolidado e em decorrência um custo bem longe destes US$ 10,00, podemos destacar:

Sobremesa: Chateau d'Yquem
Tintos: Romanee Conti e Petrus
Branco: Montrachet
Champagne: Krug e Don Perignon

Lembre-se que o vinho faz amigos, cultiva a generosidade e aumenta o companheirismo. Além disso, o melhor vinho do mundo não se guarda na adega, guarda-se na memória e no coração!

Vinho Nacional, mercado em crescimento.

O Brasil, apesar de vir logo atrás do Chile e da Argentina em volume de produção de vinhos finos, na América do Sul, produz apenas 3 milhões de hectolitros por ano. Só para se ter uma idéia, a França, maior produtor mundial, chegou à marca de 45,7 milhões de hectolitros, em 2009. Então vejamos o quanto o Brasil ainda tem a crescer nesse mercado. Inclusive, no consumo, pois nossa média é de apenas 2 litros per capita/ano, o que também é muito pouco comparado com outros países, como a Argentina, que consome 33 litros per capita/ano. Além disso, cerca de 80% dos vinhos consumidos aqui são de outros países. O consumo de vinhos nacionais ainda é muito baixo, em parte devido aos altos impostos. Recentemente, muitos me perguntam o porquê dos vinhos nacionais bons, serem tão mais caros. Impostos é a resposta. Cerca de 52% do preço de um vinho nacional é composto apenas de tributos.

As uvas mais cultivadas no Brasil são: Cabernet Sauvignon, Merlot, Pinot Noir, Cabernet Franc, Syrah, Chardonnay, Riesling Itálico e a Sauvignon Blanc. A Gewürztraminer e a Tannat estão sendo experimentadas e demonstram bons resultados.

Um dos maiores sucessos do país é a produção de espumantes, seja pelo método tradicional ( méthode champenoise ), ou pelo charmat. O vinho nacional não atinge uma maturação muito boa, por isso, geralmente, é um vinho pesado, que precisa de uma segunda fermentação, daí o sucesso dos espumantes. Muitos produtores de renome internacional atestam a região de Bento Gonçalves, no Rio Grande do Sul, como sendo propícia à produção de espumantes de altíssima qualidade, com as variedades Chardonnay, Riesling Itálico e Pinot Noir. Dos 262 espumantes nacionais, 60 já receberam medalhas fora do Brasil. Principalmente a Salton, a Chandon e a Casa Valduga.

As principais regiões vitivinícolas do país são:

• Serra Gaúcha

Concentra a maior parte dos vinhedos brasileiros. O grande problema é a quantidade de chuvas, especialmente no período de colheita, que propicia o surgimento de doenças na videira. Com tecnologia e experiência, tenta-se reverter esse quadro para chegar a uvas de maior qualidade. Nesta região, iniciou-se o sistema de denominação IPVV – Indicação de Procedência Vale dos Vinhedos.

• Campanha

É a mais promissora região para produção de vinhos finos, com condições climáticas mais adequadas ao plantio de vitis viníferas. Esta região localiza-se no mesmo paralelo que grandes regiões da Nova Zelândia, Austrália, África do Sul, Chile e Argentina.

• Vale do São Francisco

Localizado em Pernambuco, no município de Lagoa Grande, o Vale do São Francisco é uma região de clima seco, com alto grau de insolação que, graças a um sistema de irrigação, chega a produzir duas safras anuais. Porém, acredita-se que isso seja prejudicial à saúde da videira, que precisa de um tempo para descansar e recuperar as energias para produzir uvas de maior qualidade. A uva branca Moscatel se expressa muito bem na região, servindo de base para os espumantes do tipo Asti ali produzidos. A Syrah também se deu bem, sendo amplamente cultivada pelos produtores locais, seguida da Cabernet Sauvignon.

Como se pode ver, o Brasil ainda tem muito a crescer e melhorar em termos enológicos, mas precisamos acreditar nos nossos produtos para que eles possam evoluir cada vez mais. Da próxima vez que for comprar um vinho, por que não escolher um nacional? Sugestão: Salton Desejo, Salton Talento e Miolo RAR 2004.

sexta-feira, 9 de abril de 2010

Tabela de Safras

Tabela de Safras.

Em geral  para os melhores e respeitados produtores, e principalmente, seus grandes vinhos são mais influenciados pelos efeitos das safras boas e ótimas (que em geral, não são produzidos nos anos difíceis, melhorando a qualidade dos outros vinhos da casa), enquanto os demais vinhos que se encontra entre as categorias mais simples e os top's de cada produtor costumam ter qualidade mais estável. Para os vinhos do dia a dia e elaborados por bons produtores, a safra não é tão relevante, mas tem sim um peso em seus melhores vinhos. Para os produtores de menor qualidade, no entanto, as safras difíceis têm um impacto mais negativo.

Como é praticamente impossível saber como foi a safra de cada ano em cada uma das diversas regiões vinícolas do mundo. Uma tabela de safras é algo muito útil na hora de escolher e abrir uma garrafa de vinho.
 
 Segue abaixo uma tabela de safras.


Pesquisa em diversas fontes,entre elas Revista Adega, Mistral, Grand Cru, Parker, Wine Spectator, Gambero Rosso, Halliday, ABE, Peñin, Miolo e Salton.

segunda-feira, 5 de abril de 2010

Filipa Pato e seu Ensaio Tinto, 2008

Filipa Pato

Faz vinho, e bem, de uma maneira lúdica e lúcida é Filipa Pato, filha do conhecido produtor bairradino Luís Pato. Ela criou uma linha de produtos sob a denominação Ensaios FP. Formada em engenharia química e com 29 anos, além de ter nascido no meio dos vinhos, preocupou-se em fazer produtivos estágios na Austrália, Bordéus e Argentina. Desde 2001, elabora vinhos com o seu nome, plenos de carácter e a preços excelentes. O seu mais recente Ensaio é este espumante 3b Brut ( que significa que foi produzido a partir das castas Bical, Baga e Bairrada), feito 70% com a casta tinta Baga, que teve um leve estágio em madeira, e a restante proporção é da casta branca Bical. O resultado é um espumante ligeiramente rosado, com sérios alicerces e um potencial de envelhecimento.

Luís Pato levou a cabo um grande valor de divulgação e modernização da imagem da Bairrada, dentro e fora de Portugal, com uma consistente qualidade. A sua filha Filipa, vai fazendo os seus Ensaios com ori-ginalidade, coerência, uma imagem moderna e de extremo bom gosto e com um forte sentido de responsabilidade pelo nome que representa.

Filipa Pato Ensaios Tinto, 2008. Esse eu tomei, na casa de meu cunhado e amigo Milton Studart  e amigos, no Porto das Dunas nesse feriado de Semana Santa acompanhado de muita carne e feijoada.

Um tinto muito bem estruturado e encorpado, feito com um corte de Touriga Nacional, Alfrocheiro Preto e Baga. De coloração rubi escuro, com aromas de frutas negras, tem taninos presentes e boa acidez para acompanhar uma refeição, essa acidez lhe conferiu uma excelente escolha para acompanhar uma feijoada. No final de boca tem um sabor levemente abaunilhado, que deve ser fruto de envelhecimento em madeira. Foi interessante observar que no final de boca também deixa uma leve impressão (leve mesmo) de 'frisante', algo típico da Baga e de muitos vinhos portugeses, coisa bem leve mas que para mim torna essa uva muito peculiar assim como os vinhos portugueses.

Produtor: Filipa Pato
País: PORTUGAL
Região: Bairrada e Dão
Safra: 2008
Volume: 750 ml
Uva: Touriga Nacional 40%, Alfrocheiro Preto 40% e Baga 20%.
Álcool: 14.00%

Na Brava por R$ 57,00

Não existe enochato. Existe chato, e ponto.

Não existe enochato. Existe chato, e ponto.
Ouço às vezes pessoas se queixando de outras que seriam os “enochatos”. Acho ruim esta designação, porque ela em geral supõe que uma pessoa que aprecia intensamente vinhos, estuda os vinhos, procura identificar suas características e qualidades, seria um chato. Seria o mesmo que dizer que alguém que ama cinema, que procura saber tudo so-bre esta arte, que assiste a filmes atento a cada detalhe de ilumina-ção, ritmo, atuação, que recorda cenas e falas inteiras, seria um chato, um “cinechato”!

Absurdo. O que faz uma pessoa chata não é ser fanática por vinhos ou cinema. O que faz uma pessoa chata é que ela é... chata por natureza! Não é capaz de medir as palavras e as ações, ou de adequá-las ao ambiente, às pessoas, ao momento que tem à sua volta. Não é capaz de respeitar outros interesses, não é capaz de perceber, e respeitar, o outro.

Muita gente sente, sim, cheiro de estrebaria ou de piche ou de violeta ou de banana num vinho. Aromas produzidos por moléculas que, queiram ou não os céticos, estão ali, sim –existem fisicamente. Se uns sentem mais, outros menos, não é defeito nem de uns, nem de outros. Mas eles existem, talvez detectados erradamente às vezes, mas não sempre.

Como reconhecer o chato, com ou sem copo na mão

Será mesmo que alguém é chato por sentir sabores balsâmicos num vinho, ou travo de taninos? Absolutamente não. E se ele estiver entre enófilos, numa degustação, e trocar estas impressões com outras pessoas igualmente interessadas no assunto, será um chato inconveniente? Mais uma vez, lógico que não.

Mas ele será certamente um chato se:

- Quiser monopolizar a conversa à mesa, numa refeição de família em que muitos estão tomando refrigerante, outros estão tomando vinho sem compromisso, outros são alcoólatras tentando se reabilitar e querem evitar o assunto --, mas todos terão que ouvir por horas a descrição detalhada de cada gole dado pelo chato.

- Durante uma festa, em que há interesses e conversas variadas, obrigar todo mundo a meter o nariz na taça dele para confirmar como realmente tudo o que ele está dizendo é verdade.

- No meio do jogo, quando o Robinho está prestes a fazer um gol de letra em sua reestreia pelo Santos, postar-se diante da TV para anunciar, como se fosse a cura do câncer, que ele descobriu um novo aroma que só se desenvolveu no copo agora, meia hora depois de aberta a garrafa.

E por aí vai. Mas veja bem: supondo que este mesmo chato seja proibido de falar de vinho; você acha que ele deixaria de ser inconveniente? Duvido. Ele deve ter algum outro assunto que ache interessante, nem que sejam as novas e excitantes promoções no escritório em que trabalha. E você acha que ele vai deixar alguém almoçar em paz, beber em paz, assistir ao futebol em paz, sem contar detalhes de como aquela assistente enganou aquele chefe (na cama, certamente) para conseguir um cargo que nem merecia etc. etc.??

Vejo que frequentemente, ao se referir a um amante do vinho como enochato, muita gente está se referindo ao fato dele dominar certa área do conhecimento (os vinhos) mais do que as outras pessoas, e que isso provoca desconforto. Como resultado, incentiva-se uma generalização perigosa: a ideia de que o conhecimento, a expertise, o aprofundamento em um tema seriam coisas de chato.

Em outras palavras, dissemina-se a cultura da ignorância: as pessoas não devem conhecer muito. Basta achar um vinho gostoso, um filme divertido, e chega. Nada de pensar, analisar, discutir.

Vamos com calma. O elogio da ignorância sim é uma chatice. E perigosa.

Achei interessante essa identificação, no Blog do Josimar que aprensenta o Programa O Guia, no National Geographic Channel.

Semana Santa com Vinhos e Bacalhau.

Bacalhau e o vinho? Só não foi de Portugal.

O bacalhau é muito exigente e controverso, mas aceita a companhia de muitos vinhos brancos, tintos e rosados bem escolhidos. Eu pessoalmente, prefiro um bom branco encorpado, de preferência com uma boa passagem por madeira e da uva Chardonnay, minha dica é: VINHO CHILENO, LEYDA VINEYARD FALARIS CHARDONNAY 2007.

O tinto é mais complicado. Peixe, Sal e tanino não se dão bem, sendo comum aparecer um gosto metálico, de maresia. Os tintos mais frutados e leves, sem taninos acompanham corretamente várias receitas com esse peixe maravilhoso, ou seja como se diz em Portugal "Bacalhau não é peixe , Bacalhau é Bacalhau". Algumas uvas com essas caracteristicas de pouco tanino, ou seja, mais leves, são as uvas Pinot Noir ou Merlot, esses se comportaram muito bem com o mesmo bacalhau na brasa, mas pedem algo mais complexo como um Bacalhau Entre Rios ou ao Vinho do Porto. Minha dica: uva Pinot Noir (VINHO DA NOVA ZELANDIA, ST. CLAIR VICARS CHOICE PINOT NOIR 2007 ), uva Merlot (VINHO NACIONAL, SALTON DEJESO MERLOT 2004), esse último é considerado um dos melhores vinhos da uva Merlot produzidos na Serra Gaúcha nos últimos anos e essa safra está na hora certa de se aberta.

Os roses podem ir muito bem tanto com os pratos mais leves como também com os mais complexos, mas serão, em minha opinião, como coringas, dão certo com todos. Embora não valorizem o melhor de cada prato, elas também não o estragam, mesmo porque devem ser abertos em temperaturas mais baixas como 8 a 12 graus, o que inibe as papilas gustativas. Minha dica: VINHO ARGENTINO SUSANA BALBO CRIOS MALBEC 2006. O detalhe para os vinhos roses são que eles harmonizam extremamente bem com o nosso clima quente.

Bons vinhos.